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Precificação Tempo de leitura: 8 min Publicado em Invista Pouco

Como Calcular o Preço de Venda sem Trabalhar de Graça

Copiar o preço do concorrente é o jeito mais rápido de ter movimento e não ter lucro. Veja a fórmula completa, com custo fixo, taxa de cartão, imposto, comissão e a margem que você escolhe.

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Por que "custo vezes dois" não funciona

A regra de dobrar o custo ignora tudo o que acontece entre a venda e o dinheiro no seu bolso: a taxa da maquininha, o imposto, a comissão de quem vendeu e, principalmente, o aluguel e as contas que existem mesmo se você não vender nada. O resultado é um preço que parece dar lucro em cada venda e dá prejuízo no fim do mês.

Os quatro ingredientes do preço

IngredienteO que éComo aparece
Custo variávelO que você gasta só quando vendeProduto, insumo, embalagem, frete
Custo fixo por unidadeAs contas do mês divididas pelo que você vende no mêsAluguel, energia, salários, sistema
Custos percentuaisO que é cobrado como % do preçoCartão (2 a 4%), imposto, comissão
Margem de lucroO que sobra para você, de fatoO número que você escolhe
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A fórmula

Como o cartão, o imposto e a comissão são percentuais do preço final, não dá para simplesmente somar. A fórmula que resolve isso é:

Preço de venda

Preço = (custo variável + custo fixo por unidade) ÷ (1 − soma dos percentuais)

Na soma dos percentuais entram: taxa do cartão, imposto sobre a venda, comissão e a sua margem de lucro, todos em decimal (15% = 0,15).

Exemplo: um corte de cabelo

Um salão tem R$ 6.000 de custos fixos por mês e faz, em média, 400 atendimentos. O produto usado num corte custa R$ 6. A maquininha cobra 3%, o Simples Nacional fica em 6%, a profissional recebe 40% e o dono quer 15% de lucro.

Cálculo do corte

  • Custo do produtoR$ 6,00
  • Custo fixo por atendimento (6.000 ÷ 400)R$ 15,00
  • Custo total por corteR$ 21,00
  • Percentuais: 3% + 6% + 40% + 15%64%
  • Divisor (1 − 0,64)0,36

Preço mínimoR$ 58,33

Se esse salão cobra R$ 45 porque "o concorrente cobra 45", ele perde R$ 13 em cada corte e só descobre isso quando o dinheiro do aluguel não aparece. Repare que a maior parte do custo não é o produto: é o custo fixo e a comissão. Por isso a forma de calcular comissão muda o preço que você precisa cobrar.

Exemplo: um produto de revenda

Uma loja compra um item por R$ 40, tem R$ 8.000 de custo fixo e vende 800 itens por mês (R$ 10 de custo fixo por item). Cartão 3%, Simples 4%, sem comissão, margem desejada 20%.

Cálculo do produto

  • Custo de compraR$ 40,00
  • Custo fixo por itemR$ 10,00
  • Percentuais: 3% + 4% + 20%27%
  • Divisor (1 − 0,27)0,73

Preço mínimoR$ 68,49

E se o mercado não paga esse preço?

A fórmula não diz quanto o cliente aceita pagar. Ela diz quanto você precisa cobrar para não perder dinheiro. Se o resultado ficou acima do que o mercado paga, você tem apenas três caminhos honestos:

  • Reduzir o custo fixo por unidade, vendendo mais com a mesma estrutura ou cortando estrutura.
  • Reduzir os percentuais: negociar a taxa da maquininha, rever a comissão, mudar de enquadramento tributário.
  • Mudar o produto: agregar algo que justifique o preço, ou parar de vender o que não paga a própria conta.

O quarto caminho, vender abaixo do custo esperando "compensar no volume", é a receita clássica de fechar as portas com a agenda cheia.

Revise a cada trimestre

O custo fixo por unidade muda quando o movimento muda. Um salão que passou de 400 para 500 atendimentos tem R$ 3 a menos de custo fixo em cada corte. Um restaurante em mês fraco tem o contrário. Recalcule a tabela a cada três meses, ou sempre que um custo grande mudar.

Na prática

O preço certo em cada contexto

No Worldwide ERP, o produto guarda o custo de compra e o serviço guarda a comissão do executor. Nas clínicas, a mesma consulta tem preço por convênio, particular ou plano próprio. O DRE mostra, no fim do mês, se a margem que você planejou é a que aconteceu.

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