Como Calcular o Preço de Venda sem Trabalhar de Graça
Copiar o preço do concorrente é o jeito mais rápido de ter movimento e não ter lucro. Veja a fórmula completa, com custo fixo, taxa de cartão, imposto, comissão e a margem que você escolhe.
Por que "custo vezes dois" não funciona
A regra de dobrar o custo ignora tudo o que acontece entre a venda e o dinheiro no seu bolso: a taxa da maquininha, o imposto, a comissão de quem vendeu e, principalmente, o aluguel e as contas que existem mesmo se você não vender nada. O resultado é um preço que parece dar lucro em cada venda e dá prejuízo no fim do mês.
Os quatro ingredientes do preço
| Ingrediente | O que é | Como aparece |
|---|---|---|
| Custo variável | O que você gasta só quando vende | Produto, insumo, embalagem, frete |
| Custo fixo por unidade | As contas do mês divididas pelo que você vende no mês | Aluguel, energia, salários, sistema |
| Custos percentuais | O que é cobrado como % do preço | Cartão (2 a 4%), imposto, comissão |
| Margem de lucro | O que sobra para você, de fato | O número que você escolhe |
A fórmula
Como o cartão, o imposto e a comissão são percentuais do preço final, não dá para simplesmente somar. A fórmula que resolve isso é:
Preço de venda
Preço = (custo variável + custo fixo por unidade) ÷ (1 − soma dos percentuais)
Na soma dos percentuais entram: taxa do cartão, imposto sobre a venda, comissão e a sua margem de lucro, todos em decimal (15% = 0,15).
Exemplo: um corte de cabelo
Um salão tem R$ 6.000 de custos fixos por mês e faz, em média, 400 atendimentos. O produto usado num corte custa R$ 6. A maquininha cobra 3%, o Simples Nacional fica em 6%, a profissional recebe 40% e o dono quer 15% de lucro.
Cálculo do corte
- Custo do produtoR$ 6,00
- Custo fixo por atendimento (6.000 ÷ 400)R$ 15,00
- Custo total por corteR$ 21,00
- Percentuais: 3% + 6% + 40% + 15%64%
- Divisor (1 − 0,64)0,36
Preço mínimoR$ 58,33
Se esse salão cobra R$ 45 porque "o concorrente cobra 45", ele perde R$ 13 em cada corte e só descobre isso quando o dinheiro do aluguel não aparece. Repare que a maior parte do custo não é o produto: é o custo fixo e a comissão. Por isso a forma de calcular comissão muda o preço que você precisa cobrar.
Exemplo: um produto de revenda
Uma loja compra um item por R$ 40, tem R$ 8.000 de custo fixo e vende 800 itens por mês (R$ 10 de custo fixo por item). Cartão 3%, Simples 4%, sem comissão, margem desejada 20%.
Cálculo do produto
- Custo de compraR$ 40,00
- Custo fixo por itemR$ 10,00
- Percentuais: 3% + 4% + 20%27%
- Divisor (1 − 0,27)0,73
Preço mínimoR$ 68,49
E se o mercado não paga esse preço?
A fórmula não diz quanto o cliente aceita pagar. Ela diz quanto você precisa cobrar para não perder dinheiro. Se o resultado ficou acima do que o mercado paga, você tem apenas três caminhos honestos:
- Reduzir o custo fixo por unidade, vendendo mais com a mesma estrutura ou cortando estrutura.
- Reduzir os percentuais: negociar a taxa da maquininha, rever a comissão, mudar de enquadramento tributário.
- Mudar o produto: agregar algo que justifique o preço, ou parar de vender o que não paga a própria conta.
O quarto caminho, vender abaixo do custo esperando "compensar no volume", é a receita clássica de fechar as portas com a agenda cheia.
Revise a cada trimestre
O custo fixo por unidade muda quando o movimento muda. Um salão que passou de 400 para 500 atendimentos tem R$ 3 a menos de custo fixo em cada corte. Um restaurante em mês fraco tem o contrário. Recalcule a tabela a cada três meses, ou sempre que um custo grande mudar.
Na prática
O preço certo em cada contexto
No Worldwide ERP, o produto guarda o custo de compra e o serviço guarda a comissão do executor. Nas clínicas, a mesma consulta tem preço por convênio, particular ou plano próprio. O DRE mostra, no fim do mês, se a margem que você planejou é a que aconteceu.
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